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ARTIGO: Os Eleitos (por Zé Victor Castiel – GZH)

3 de dezembro de 2020
18:11

Houve duas eleições, quase que sumultâneas em Porto Alegre. A primeira, elegeu Sebastião Melo e a segunda, já na segunda feira elegeu os verdadeiros culpados pelo aumento alarmante  das infecções de COVID 19 na capital. Pelos decretos e recomendações oficiais, os grandes vencedores foram a Cultura e a Indústria do Entretenimento. Fiquei surpreso porque existiam fortíssimos candidatos e com muito mais competência do que os eleitos.

A minha ingenuidade achou que a nova e enorme disseminação  de casos da doença poderia ter sido causado pelas festinhas clandestinas, que reúnem centenas de pessoas, todos os fins-de-semana, em sítios escondidinhos, onde as pessoas, sem nenhuma adoção de medidas de precaução se divertem à valer.

Presumi errado, certamente, que aquela turba que fica aglomerada na Rua Padre Chagas, parques, praias e logradouros públicos, bebendo seu drinques, conversando pertinho um do outro (sem máscara, claro) era outra forte candidata.

Sinto-me uma “Velhinha de Taubaté” em supor que campanhas eleitorais disputadíssimas, com passeios, carreatas, corpo-a-corpo e obrigatoriedade de voto, pudessem ser as favoritas nesta hipotética eleição de quem infecta mais.

Pensei nos supermercado (que, por sinal, adotam medidas protocolares de higiene exemplares) e nos velhinhos com suas máscaras abaixo do nariz, tivessem alguma chance nesse pleito.

Poderiam ser os chamados negacionistas, que se esforçam para minimizar a gravidade da situação pandêmica, embora muitos já estejam experimentando UTIs e respiradores artificiais, e para os quais, desejo pronto restabelecimento.

 As pesquisas erraram feio pois os grandes vilões eleitos, são justamente aqueles que estão completamente aptos e com boa experiência na aplicação e fiscalização das medidas de higiene e distanciamento: os empresários das áreas cultural e de entretenimento que, por tabela, empregam milhares de artistas e pessoas humildes, que se encontram em estado de total vulnerabilidade social.

É compreensível que seja assim, principalmente num Brasil onde o entretenimento e a cultura são considerados itens supérfulos e seus profissionais considerados descartáveis. Artistas, empresários e todos os trabalhadores desta enorme engrenagem que movimenta fortemente a economia nacional estão falindo, ficando doentes de enfermidades psicosomáticas e até passando fome.

A única coisa que se pede é equidade, sempre lembrando que todos devem obedecer os cuidados de higienização das mãos com água e sabão ou abusando do álcool gel, sempre usar máscara e obedecer o  distanciamento  social.

Garanto que as medidas aqui elencadas serão, invariavelmente, encontradas em eventos ou apresentações artísticas profissionais e nunca em festinhas clandestinas ou em quaisquer aglomerações irresponsáveis ou amadoras.

Parafraseando o querido Zé Antônio “Anonymus  Gourmet” Pinheiro Machado: “voltaremos”!

Esgualepados, mas voltaremos.  

Zé Victor Castiel – ator, empreendedor cultural e colunista do jornal Zero Hora e do Site GZH de Porto Alegre

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