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RUBENS DE OLIVERA: UMA LENDA VIVA!

4 de novembro de 2015
09:31

Rubens de Oliveira está completando 80 anos de vida e meio século de atuação na área de shows. É um dos mais respeitados profissionais do país. Com seu jeito tranquilo, voz mansa, este mineiro de Espera Feliz deixou a cidade aos 17 anos para fazer história no norte do Paraná. “Quando eu era criança, ficava fascinado sempre que algum avião cruzava os céus da pequena cidade onde eu morava. Eu pensava: ‘um dia ainda vou pegar um desses ‘bichões’ e vou pra longe’”. Não foi de avião, nem se mudou para um lugar tão distante assim, considerando a fábula “O Pequeno Príncipe” (Longe é um lugar que não existe). Apucarana, no Paraná, onde ele se fixou, dista 1.300 quilômetros de sua terra natal. Não importa. O fato é que Seu Rubens voou, no sentido figurado, e foi longe sim. Muito longe. Foi em direção às estrelas.

E haja estrelas, astros e afins. São mais de 15 mil shows produzidos ou comercializados. Tudo começou quando ele se envolveu na venda de uma apresentação da Banda do Seu Lívio (Livio Vidal Ferreira), de Apucarana. “Eu era empregado de uma loja e conhecia o Seu Lívio. Um dia ele pediu que eu levasse um contrato até um clube da cidade para ser assinado. Chegando lá o presidente do clube perguntou se eu trabalhava com outras bandas. Eu não trabalhava, mas disse que poderia, sim, ir atrás das demandas dele. Assim, passei a oferecer atrações para o clube e logo já contava com vários clientes na região”, explica Rubens de Oliveira.

Essas atrações, em geral, eram bandas de baile. E nos anos 70 haviam centenas em atividade no Brasil, uma melhor que a outra. Os clubes faziam várias festas ao longo do ano (carnaval, reveillón, baile do Havaí, baile de aniversário da agremiação, baile dos namorados etc.). Por conta disso, as bandas de baile trabalhavam muito e se profissionalizavam em termos de estrutura. Seu Rubens não queria ficar alheio a tudo e passou a cadastrar todos os grupos e orquestras de que tinha conhecimento, para aumentar o leque de opções quando algum clube o consultasse. Desta época, ele relembra um fato engraçado. “O Guia Show Business ainda não existia, não havia um catálogo com o telefone das atrações artísticas. Por isso eu tinha que ir atrás para descobrir como contratar as bandas. Então, quando viajava, sempre que via um caminhão ou ônibus de alguma banda, ia ao encontro para pedir o contato. Existiam as bandas Biriba Boys, Bad Boys Band, Jet Boys… tudo tinha ‘boys’ no meio. Quando vi um caminhão da Seven Boys (fábrica de pães) parado num posto de gasolina fui correndo falar com o motorista e perguntei de que cidade era aquela banda. Ele ficou me olhando, sem entender nada… Até hoje eu rio muito quando me lembro desse episódio”, diverte-se Seu Rubens.

Fio de bigode

As negociações, segundo o empresário artístico, muitas vezes eram feitas na base do “fio de bigode”. “Até uns 20 anos atrás os acordos eram fechados, mas não se faziam contratos. Havia muito respeito entre os profissionais do meio. O mercado era pequeno, não existiam tantos produtores, managers, então as pessoas se ajudavam e se respeitavam. Sergio Reis e Jair Rodrigues estão entre os artistas com quem eu mais trabalhei. Não me lembro de ter feito qualquer documento envolvendo as contratações e solicitado a assinatura deles. Eu os contratava, pagava o cachê e eles iam se apresentar. Quando eu não podia viajar para o show, eles mesmos pegavam o valor ou a diferença do cachê e mandavam minha parte”, relata. Sergio Reis confirma a informação: “Tenho 55 anos de carreira artística, já trabalhei com centenas de contratantes e vendedores de shows. Conheci muitos profissionais honestos, mas nenhum deles supera o Rubens de Oliveira nesse quesito. O que ele combina, ele cumpre”, afirma o cantor, que acredita ter feito perto de 1000 shows negociados por Seu Rubens.

Gilmar Laurindo – www.portalsucesso.com.br

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